Papo de Blog

 

 

A Doula de Cada Uma

Eu tenho .

Tenho tanta fé em uma coisa.

Acredito que cada mulher deve ter uma Doula.

Uma Doula para cada mulher.

Acredito fielmente nisso.

E quantos tipos de mulher nós temos?

A mulher empresária.

A mulher favelada, desprezada.

A mulher trabalhadora.

A mulher desempregada, vendedora de quinquilharias.

A mulher que se conhece.

E a que se medica a cada instante.

A lista não tem fim.

Para cada mulher, de salto alto a rasteirinha.

De coturno a tênis de corrida.

Eu desejo e acredito,

Que há uma Doula.

A Doula de cada uma.

Recentemente, uma colega questionou publicamente os diferentes formatos de cursos de formação de Doulas.

Me veio na memória o curso de formação de Doulas Comunitárias que presenciei a pouco tempo atrás, que tive a oportunidade de conhecer algumas, onde se formaram 25 Doulas.

Também fui questionada em estar presente.

Esclareço.

Eu acredito que para cada formação de Doulas existem as mulheres correspondentes esperando.

Atualmente no Brasil temos mais de 90% de cesarianas em muitos hospitais e maternidades.

Ainda é uma realidade que exige de nós que tenhamos cada vez mais Doulas formadas, preparadas para encontrar a realidade obstétrica que tem se apresentado ora com melhoras, ora com retrocessos. E temos formado, e temos convivido com esta realidade.

Mulheres de cores, tecidos, brincos e sapatos trazem em seus corações e ventres o desejo às vezes explicito, às vezes calado, de trazer seu filho ao mundo com mais respeito e amor.

Para isso o que fazemos?

Formamos Doulas.

Quando saibo que mais Doulas se formaram e formadoras de Doulas se preocupam em aprimorar suas entregas, que os cursos se tornam cada vez mais curativos e transformadores (sim, pois as mulheres que nos chegam, chegam também elas repletas de dores, cada uma com sua história), alegra o profundo da minha essência, por mais que meu ego mesquinho possa imaginar que talvez Doula fulana não seja tão boa. Puro discurso do ego que busco mesmo compreender, acolher e despedir.

Talvez me causasse preocupação ao saber de cursos que julgam desnecessário aprimorarem-se, no entanto, a fé e a confiança que tenho em que, no Universo, tudo se completa, o que posso dizer: vocês também fazem parte e não me cabe julgar. Com verdade.

Não me cabe dizer se fulana ou beltrana está fazendo certo, pois o que vejo é algo maior regendo tudo isso. Quem sou eu para dizer que uma Doula que passou por um curso de 32 horas é menos preparada que uma Doula que passou por um curso de 80h, com estágio e suporte técnico e emocional? Não faço isso. Pois sei que cada Doula tem a gestante que precisa para se desenvolver e crescer. Da mesma forma a mulher, também tem a Doula que precisa ter.

O que fazemos é primar por nossa qualidade, focando em nosso trabalho, cuidando de nossas alunas, dimensionando a nossa realidade. Nos sobra algum tempo para continuar nos aprimorando, buscando conhecimento inclusive internacional.

Imaginamos assim, se nossas alunas têm dificuldades para ir ali em São Paulo, grande centro repleto de novidades e conhecimentos maravilhosos, imagine Estados Unidos, Irlanda, Russia?

Não fazemos reserva do conhecimento que nos chega. Distribuímos com liberalidade. 80h pode ser pouco. É possível. E sim, se precisar a gente parcela, financia no boleto ou no cartão. Claro, por que falar de dinheiro costuma ser tão difícil, porque tudo anda tão caro! Mas sei que a ignorância custa mais, bem mais.

É a pura verdade. Eu sei, que precisei ir longe buscar por conhecimento, trago com alegria.

Quem quer um curso de 32h que transmita o básico: é possível que já seja um bom começo.

Quem quer um curso gratuito de 80h, para ser Doula Comunitária: é possível que já seja um bom começo.

Quem quer um curso de 80h com vivências terapêuticas e curativas, estágio supervisionado, apoio e suporte técnico e emocional: é possível que já seja um bom começo.

Quem vai dizer o que é, e o que não é, não sou eu.

Não existe um órgão regulador dos cursos de Doulas – espero de verdade que um dia haja.

Percebo que se há alguma formadora que não percebe a necessidade de diversidade, neste momento e conjuntura política e social em que vivemos, comparando o país continental que é o Brasil e sua cultura com qualquer outro, não percebe que a Mulher precisa mais de nós.

Eu prefiro me concentrar no meu trabalho, na minha entrega, de coração e alma, e acolher minhas alunas, que vivenciaram uma cesariana violenta, com intercorrências sérias e iatrogênicas e mesmo assim permaneceram firmes, ao lado da Mãe, apoiando o Pai, com todo nosso apoio e suporte.

Preferimos assim.

Cordialmente, Fernanda Leite.

Coordenadora Pedagógica da Papo de Gaia

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